A Arma de Boba Fett: o gaffi do Povo da Areia é real!

O Livro de Boba Fett retoma a jornada do caçador de recompensas mais famoso da galáxia, partindo de sua quase morte em O Retorno de Jedi (1983). Na produção do Disney+, seguimos seus passos rumo ao trono de Rei do Crime e vemos o que ocorreu nesse ínterim, inclusive em flashbacks. O compasso moral de Boba Fett mudou, bem como seu inventário, que inclui uma nova arma. Além das pistolas, apetrechos e mísseis de sua armadura, ele agora tem um gaderffii ou bastão gaffi. Essa é uma arma típica do universo fantástico de Star Wars, mais especificamente dos Tusken Raiders ou Povo da Areia. Contudo, suas origens não ficam em uma galáxia muito, muito distante. Na verdade, estão nas Ilhas Fiji.

Quem é Boba Fett

Apesar da meia-dúzia de falas e do pequeníssimo tempo de tela em Star Wars, Boba Fett se tornou um favorito dos fãs. O primeiro a vestir sua armadura foi o ator Jeremy Bulloch, que deu vida ao personagem em O Império Contra-Ataca (1980) e O Retorno de Jedi. Nesses filmes, ele é um caçador de recompensas que vive no encalço dos heróis. Desaparecido desde o fim da trilogia original, o mercenário voltou para o centro das atenções em O Mandaloriano (2020), primeira série em live-action da franquia.

Agora quem veste a armadura é Temuera Morrison, que também viveu o pai desse personagem na trilogia prólogo, em O Ataque dos Clones (2002). Depois, o ator neozelandês dublaria Boba Fett em games e na edição especial de O Império Contra-Ataca, de 2004. Embora se refira a Jango Fett como seu pai, ao contar a história de sua armadura para Mando (Pedro Pascal), Boba é tecnicamente um clone do lendário caçador de recompensas, criado por ele como filho.

A suposta morte do mercenário

Na batalha inicial de O Retorno de Jedi, Boba Fett cai no poço do verme da areia Sarlaac e é dado como morto (por razões óbvias). Até hoje, apesar da versão juvenil que vemos em O Ataque dos Clones e na série de animação Clone Wars (2008-2020), esse era o ponto final na sua carreira de mercenário.

Contudo, O Mandaloriano revela que Boba Fett de algum modo sobreviveu e continuou em Tatooine. Na temporada 2 (Episódio 6, “The Tragedy”), o mercenário rastreia Mando e o segue até o planeta Tython, onde pede que ele devolva sua armadura. Essa foi a primeira aparição de Boba Fett em décadas, com uma nova arma. Atendendo ao público, o caçador de recompensas ganharia sua própria série em 2021.

A (nova) arma de Boba Fett

Em O Mandaloriano, Boba Fett empunha pela primeira vez uma arma antes exclusiva dos Tusken Raiders. O gaderffii ou bastão gaffi surgiu primeiramente em Guerra nas Estrelas (1977). Num momento de distração, depois que Luke Skywalker sai em busca do droide R2-D2, um Tusken o ataca pelas costas.

O Povo da Areia não é particularmente amistoso com forasteiros. No entanto, por mais perigosa que seja, sua brutal arma corpo a corpo também é uma ferramenta versátil. Em O Mandaloriano, vemos um Tusken usar o gaffi para limpar os dentes de um bantha (enorme animal que serve de montaria). Vamos levar em conta as duras condições de vida desse povo no Mar de Dunas de Tatooine. Logo, faz todo sentido que suas armas também sirvam a tarefas mais mundanas.

A origem do gaffi

As origens geográficas do gaderffii coincidem com as do ator neozelandês que dá vida a Boba Fett. Isso porque a arma em questão surgiu com base na totokia, originária das Ilhas Fiji, no Pacífico. Esse martelo de guerra ganhou o apelido “bastão de abacaxi” por causa de um pomo espinhoso na extremidade, de ponta curva. O pomo perfurava o crânio dos inimigos e esmagava sua cabeça. Além de sua função como arma de guerra, a totokia também era símbolo de status naquela sociedade.

No momento em que os stormtroopers o atacam, Boba Fett mostra suas proezas marciais com o bastão gaffi. Em “The Tragedy, ficou claro o quão eficaz o pomo espinhoso pode ser, especialmente junto da lança afiada que a versão “Star Wars” dessa arma ganhou.

Os rituais do Povo da Areia

Em O Livro de Boba Fett, sabemos que sua nova arma é herança dos Tusken, dos tempos que o mercenário viveu entre eles. Primeiro como prisioneiro, depois integrando-se ao grupo, Boba Fett se destacou como membro do Povo da Areia. Ele não só aprendeu a lutar com o gaffi, como também participou de celebrações e ritos de passagem. Por exemplo, para fazer o bastão usa-se o galho de uma árvore sagrada, através de um processo artesanal que é parte dessa cultura. Em retribuição, Boba Fett ensinou os Tusken a pilotar speeder bikes e os ajudou no grande assalto ao trem.

O tempo com o Povo da Areia foi essencial na construção do personagem que vemos nas telas, e marca o seu retorno ao cânone de Star Wars. O renascimento do caçador de recompensas é literal, desde que saiu das tripas do verme da areia Sarlaac. Mas Boba Fett se afasta da vida de mercenário, deixando para trás seus anos sob contrato do Império e de mafiosos como Jabba. Então, apostando alto, decide tomar o lugar do Hutt como o novo daimiô de Mos Espa, um dos grandes centros urbanos de Tatooine. Assim, terá o poder e o reconhecimento que tanto deseja, e uma vasta rede criminosa nas suas mãos.

Referências

Boba Fett’s Mandalorian Weapon Explained: The Tusken Raider Gaffi Stick“, por Hannah Shaw-Williams (ScreenRant, 04/12/2020)

Como citar este artigo? (ABNT)

REIS FILHO, L. A Arma de Boba Fett: o gaffi do Povo da Areia é real!, Projeto Ítaca. Disponível em: https://projetoitaca.com.br/a-arma-de-boba-fett-a-origem-do-gaffi-dos-tusken-raiders/. Acesso em: 23/04/2024.

Lucio Reis Filho

Lucio Reis Filho

Lúcio Reis Filho é Ph.D. em Comunicação (Cinema e Audiovisual), escritor e cineasta especializado nas interseções entre Cinema, História e Literatura, com foco nos gêneros do horror e da ficção científica. Historiador com especialização em Estudos Clássicos pela Universidade de Brasília, em parceria com a Cátedra Unesco Archai (Unb/Unesco), é Coordenador do Projeto Ítaca. Seus interesses acadêmicos e de pesquisa são essencialmente interdisciplinares; abrangem Cinema, Artes Visuais, História, Literatura Comparada e Estudos da Mídia. Escreve periodicamente resenhas de livros, filmes e jogos para diversas publicações.
Lucio Reis Filho

Lucio Reis Filho

Lúcio Reis Filho é Ph.D. em Comunicação (Cinema e Audiovisual), escritor e cineasta especializado nas interseções entre Cinema, História e Literatura, com foco nos gêneros do horror e da ficção científica. Historiador com especialização em Estudos Clássicos pela Universidade de Brasília, em parceria com a Cátedra Unesco Archai (Unb/Unesco), é Coordenador do Projeto Ítaca. Seus interesses acadêmicos e de pesquisa são essencialmente interdisciplinares; abrangem Cinema, Artes Visuais, História, Literatura Comparada e Estudos da Mídia. Escreve periodicamente resenhas de livros, filmes e jogos para diversas publicações.

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